PCDF desarticula organização criminosa que vendia dados sigilosos de milhões de brasileiros


A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), deflagrou na manhã desta quinta-feira, 29, a Operação Dark Spot, contra organização criminosa especializada na comercialização de dados pessoais sigilosos obtidos por acesso irregular a bases governamentais e privadas.

 Foram cumpridos quatro mandados de prisão — três preventivos e um temporário — e seis mandados de busca e apreensão, em cinco cidades de três unidades da Federação. A decisão judicial determinou ainda o bloqueio de ativos financeiros e criptoativos dos investigados, até o limite de R$ 2 milhões. 

A investigação apurou o funcionamento de plataforma digital que vendia consultas a informações protegidas por sigilo legal: dados cadastrais da Receita Federal, Carteira Nacional de Habilitação, registros veiculares, processos judiciais e sistemas corporativos de órgãos de segurança pública. 

O sistema operava com interface profissional e créditos pré-pagos, adquiridos por PIX ou criptoativos, e era divulgado por rede hierarquizada de revendedores em redes sociais e aplicativos de mensagens.

 A escala é expressiva: mais de 18 milhões de requisições entre maio de 2023 e junho de 2024, vindas de mais de 257 mil endereços de IP distintos, com 45.134 cadastros e 7.242 usuários ativos. 

Consultas de verificação feitas pela equipe investigativa retornaram dados válidos de altas autoridades públicas do Distrito Federal, o que evidenciou o risco concreto a que estavam submetidos milhões de cidadãos. 

O caso se destaca pela reiteração criminosa. Após cada intervenção policial anterior, a organização voltou a operar em poucas horas: migrou os serviços entre provedores nacionais e estrangeiros, implantou camadas de anonimização de tráfego, substituiu de imediato as lideranças presas e reconstruiu a plataforma sob novo domínio, com interface e funcionalidades idênticas.

 Essa capacidade de regeneração foi determinante para o deferimento das medidas cautelares de maior gravidade. 
A análise financeira identificou movimentação superior a R$ 450 mil sem origem lícita comprovada, apenas entre dezembro de 2024 e março de 2025, com potencial de arrecadação mensal estimado acima de R$ 1 milhão.

 Os pagamentos eram recebidos por interface automatizada em criptomoedas e liquidados em corretora de ativos digitais, transitavam por contas de terceiros e reapareciam na aquisição de bens registrados em nome de familiares

Comentários

Total de visualizações de página

Postagens mais visitadas deste blog

Funcionário do ICMBio e comparsa são presos transportando droga em carro no DF

Motociclista para em cima de teto de carro após colisão na L4 Sul, no DF

Motociclista de 20 anos morre após colisão contra ônibus na BR-040

Seguir